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Deve ser feita a partir de um robusto sistema de gestão de riscos, que considere o ciclo de vida total da atmosfera ‘Ex’, exigindo alto nível de conhecimento e constante atualização dos profissionais envolvidos.

Boas práticas são muito importantes para que a segurança de atmosferas “Ex”sejam garantidas. Além dos equipamentos certificados para operarem em áreas classificadas, especialistas indicam o uso de ventilação para exaurir ou diluir as atmosferas explosivas, aterramentos elétricos e outras medidas para dificultar o acúmulo de cargas elétricas e descargas eletrostáticas.

Especificamente para poeiras e fibras explosivas, deve-se evitar seu acúmulo e dispersão nos ambientes, principalmente em peças girantes e superfícies aquecidas, por meio de limpeza constante, umidificação do ar quando possível e viável. Há também a necessidade de checar os sistemas de coleta para se ter certeza de que os possíveis vazamentos estão fechados, para prevenir a entrada do pó e que a poeira não esteja acumulando nos dutos.

Periodicamente, é preciso revisitar os princípios de controle de pós combustíveis, além de ter certeza de que toda a equipe está alerta e consciente sobre os riscos. Não há um tipo de EPI específico para proteção de quem atua em áreas classificadas. Ainda assim, são recomendadas roupas de algodão e jamais tecidos sintéticos, para se evitar faíscas eletroestáticas. Os calçados de segurança devem ser condutores que permitam o escoamento de cargas do corpo do trabalhador para o solo, pois o acúmulo pode gerar uma descarga eletroestática entre o corpo e a superfície da área.

O nível de segurança das instalações em áreas classificadas também pode ser elevado, com a atualização periódica do prontuário dos equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação, de telecomunicações e mecânicos ‘Ex’. Bem como do prontuário das instalações em atmosferas explosivas e do prontuário dos trabalhadores envolvidos com atividades de execução ou supervisão de classificação de áreas, projeto, montagem, inspeção, manutenção e reparo de equipamentos e instalações ‘Ex’.

A implantação de um plano de inspeção periódica destes tipos de instalações, com base nos requisitos especificados na ABNT NBR IEC 60079-17 também é necessário. Soma-se ainda a execução de treinamentos de formação e de reciclagem sobre equipamentos e instalações em atmosferas explosivas para os trabalhadores executantes e supervisores envolvidos e avaliação periódica das competências dos colaboradores.

As Normas Regulamentadoras 10, 20, 31 e 33, apesar de não entrar em detalhes, mencionam o trabalho seguro em áreas classificadas. Todas enfatizam que os equipamentos utilizados nestes locais devem  possuir certificado de conformidade.

Abordando um pouco mais o assunto, a NR 10 pontua que os trabalhadores que atuam em áreas classificadas devem receber treinamento específico de acordo com o risco envolvido, incluindo o tópico no ‘Curso Básico – Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade’. Também traz a necessidade de permissão de trabalho para realização da tarefa ou supressão do agente de risco que determina a classificação da área, além da adoção de dispositivos de proteção como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões e falhas de isolamentos, etc.

Publicada no final de 2018, a NR 37 possui um conteúdo detalhado para garantir a segurança e a saúde dos profissionais enquanto realizam suas tarefas nas áreas classificadas das plataformas de petróleo. De acordo com especialistas, a norma introduziu no Brasil, de forma inédita, requisitos de avaliação de equipamentos mecânicos ‘Ex’, remetendo para as normas ABNT NBR ISO 80079-36 e ABNT NBR IEC 60079. Estas são as normas que regem o setor ‘Ex’ no país e passam por um processo periódico de atualização, sempre seguindo as atuais edições das respectivas normas técnicas internacionais da IEC (International Electrotechnical Commission).

Do ponto de vista de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) em áreas classificadas, todas as normas técnicas brasileiras sobre o tema são importantes, mas pensando na abordagem do ‘ciclo total de vida’ das instalações em atmosferas explosivas, pode-se destacar 10 normas: 

  1. ABNT NBR IEC 60079-0: Atmosferas explosivas – Parte 0: Equipamentos – Requisitos gerais;
  2. ABNT NBR IEC 60079-10-1: Atmosferas explosivas – Parte 10-1: Classificação de áreas – Atmosferas explosivas de gases inflamáveis;
  3. ABNT NBR IEC 60079-10-2: Atmosferas explosivas – Parte 10-2: Classificação de áreas – Atmosferas de poeiras explosivas;
  4. ABNT NBR IEC 60079-14: Atmosferas explosivas – Parte 14: Projeto, seleção e montagem de instalações elétricas;
  5. ABNT NBR IEC 60079-17: Atmosferas explosivas – Parte 17: Inspeção e manutenção de instalações elétricas;
  6. ABNT NBR IEC 60079-19: Atmosferas explosivas – Parte 19: Reparo, revisão e recuperação de equipamentos;
  7. ABNT NBR IEC 60079-25: Atmosferas explosivas – Parte 25: Sistemas elétricos intrinsecamente seguros;
  8. ABNT TS IEC 60079-46: Atmosferas explosivas – Parte 46: Conjuntos de equipamentos pré-montados;
  9. ABNT NBR IEC 61892-7: Instalações elétricas em unidades marítimas – Parte 7: Áreas classificadas;
  10. ABNT NBR ISO/IEC 80079-36: Atmosferas explosivas – Parte 36: Equipamentos não elétricos para utilização em atmosferas explosivas – Métodos e requisitos básicos (Tipo de proteção Ex “h”).

Áreas classificadas: locais em que uma atmosfera explosiva de gás inflamável ou de poeira combustível está presente ou na qual é provável a sua ocorrência.

Atmosferas “Ex” (explosivas): pela definição adotada pela série ABNT NBR IEC 60079 – Atmosferas Explosivas, são formadas por misturas com o ar de substâncias inflamáveis ou combustíveis na forma de gás, vapor, poeira ou fibras, às quais, após a ignição, permitem a propagação autossustentada de toda a mistura, ou seja, a explosão. Podendo ser fontes de ignição desde superfícies quentes até faíscas geradas mecanicamente e dispositivos elétricos, entre outras. 

Ref.: Revista Proteção, Saúde e Segurança do Trabalho (Digital): SST em áreas classificadas – SEGURANÇA EM ATMOSFERAS Ex. Por Raira Cardoso. Editora Proteção Publicações. Ed. 337, p. 44-54, Janeiro/2020.