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Nos últimos tempos as empresas e instituições relacionadas à Segurança e Saúde do Trabalho (SST) têm dado muita importância ao tema e reforçam a preocupação da prevenção das doenças respiratórias no trabalho.

Os sintomas das doenças respiratórias são diversos, entre eles o longo período de latência, ser incurável e fatal. Para dificultar ainda mais seu tratamento, esse tipo de doença inicialmente não apresenta sintomas.

A exposição, inalação e deposição de partículas no aparelho respiratório durante a atividade laboral são as causas, sendo as mais conhecidas as pneumoconioses (ex.: silicose, asbestose, mesotelioma e o câncer de pulmão) e a asma, que vem atingindo um número cada vez maior de trabalhadores.

Essas doenças podem ser divididas em três grupos, conforme os critérios de Schilling:

  1. Doenças nas quais o trabalho é a causa necessária, como a silicose, asbestose e a pneumoconiose de minérios de carvão;
  2. Doenças em que a atividade laboral é um fator causal contributivo, mas não necessário, como o câncer de pulmão, que tem sua chance aumentada em caso de contato com o asbesto;
  3. Doença em que o trabalho desencadeia uma desordem latente/pré-existente ou pode agravar uma doença existente, por exemplo, a asma.

No Brasil, há uma dificuldade de constatar se uma doença respiratória foi causada ou agravada no ambiente de trabalho, já que não há um acompanhamento estatístico correto, pois não é comum que esses casos sejam relacionados às atividades laborais, normalmente são tratados como uma doença comum. A subnotificação e a desinformação, tanto por parte dos empregadores quanto dos trabalhadores ocasionam a falha de implantação e observação de medidas preventivas.

Para a prevenção, algumas empresas especializadas em Pneumologia Ocupacional possuem laboratórios de investigação, oferecendo serviços de atendimento referenciado. É importante realizar uma anamnese ocupacional em todo e qualquer paciente, já que existem muitos casos em que os trabalhadores se tornaram inválidos respiratórios devido ao estágio avançado e/ou vieram à óbito, e tudo isso poderia ser evitado se as medidas de prevenção fossem efetivas nas organizações.

Tendo conhecimento de que as doenças respiratórias são preveníveis, deve-se saber que existem soluções tecnológicas e de engenharia para eliminar ou controlar a emissão de material particulado e outros agentes químicos, na grande maioria dos processos produtivos. Para tanto, especialistas ressaltam que as empresas são responsáveis diretas pela implementação das medidas de controle conforme estabelecido na NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. E o primeiro passo para resolver um problema é o reconhecimento e a aceitação de que ele existe, por todos os atores envolvidos, desde trabalhadores até empresários.

Para higienistas, a hierarquia das medidas que deve ser respeitada é a prevenção:

  1. Na fonte: substituição de processos ou materiais, modificações no processo, métodos úmidos, manutenção e práticas de trabalho adequadas;
  2. Na trajetória: interceptar o fator de risco em sua trajetória de propagação, como o isolamento e ventilação, que pode ser geral (diluidora ou de deslocamento) e local exaustora;
  3. No trabalhador: comunicação de risco e a educação, treinamento em práticas de trabalho, Equipamento de Proteção Individual, higiene pessoal e de roupas e diminuição do tempo de exposição (o que serve apenas para alguns agentes físicos, mas questionável para químicos e poeiras).

As medidas mencionadas visam evitar de alguma maneira a exposição dos trabalhadores ao fator de risco, ou seja, a prevenção primária. Especialistas ainda enfatizam a importância da implantação de um Programa de Proteção Respiratória (PPR) que abrange o processo de seleção, uso e manutenção dos equipamentos de proteção respiratória adequados às tarefas para eliminar ou minimizar os perigos do ambiente de trabalho. A atuação dos profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) para que o PPR seja eficaz é importante e deve iniciar ainda na fase de compra dos equipamentos.

Como prevenção secundária, é preciso detectar precocemente as alterações resultantes da exposição, que são precursoras de doenças, por meio da avaliação clínica. E, se necessário, a recomendação de medidas preventivas ou até de que a exposição cesse imediatamente.

O fato é que as doenças respiratórias relacionadas ao trabalho e as consequências à saúde dos trabalhadores são graves e o ônus é para o colaborador e sua família, para a empresa, para o Governo e para a sociedade como um todo. É preciso haver uma união de todas as entidades envolvidas, observando as medidas preventivas necessárias para os riscos presentes em cada atividade laboral. Desta forma, é possível que a quantidade de doenças e óbitos diminua, com a melhora efetiva dos ambientes laborais e pelo estabelecimento de uma cultura prevencionista no Brasil.

Ref.: Revista Proteção, Saúde e Segurança do Trabalho (Digital): Doenças respiratórias ocupacionais – Por um fôlego a mais. Por Raira Cardoso. Editora Proteção Publicações. Ed. 328, p. 32-42, Abril/2019.