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Engenheira fala sobre a importância de se elaborar treinamentos e programas que façam sentido para os trabalhadores

Entrevista à jornalista Daniela Bossle

A mineira Andreia Kaucher Darmstadter, 57, chegou a pensar em ser artista plástica ou veterinária, mas acabou optando pela engenharia. Já no primeiro estágio viu-se em um confuso canteiro de obra, com estrutura precária, onde ir ao banheiro não era uma opção, já que não havia um destinado para mulheres.

Mais tarde, com a especialização em Engenharia de Segurança e a vontade de atuar no ramo da construção, ingressou em uma conceituada construtora, cheia de novas ideias sobre ferramentas para melhorar a gestão de saúde e segurança nas frentes de trabalho. No entanto, o entusiasmo dos engenheiros de obra pelas mudanças não era dos melhores. Mesmo assim, ela se empolgava com os treinamentos quando percebia a mudança de comportamento dos operários ao compreenderem a importância de um trabalho seguro.

Entrou para o Serviço Social da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais em 1994, onde atua até hoje exercendo a coordenação do Departamento de Segurança do Trabalho. Foi contratada para dar suporte em segurança às empresas filiadas e organizar os cursos de CIPA. Era a pessoa certa no lugar e no momento certo. Uma profissional extremamente conectada com a realidade dos canteiros, preocupada em conhecer a rotina e o “saber” de cada trabalhador. Fez cursos de operador de betoneira, de serra elétrica, de elevador de obra, entre outros, para poder entender o dia a dia de trabalho dos operários. Daí em diante foram muitos e intensos desafios.

Você tem um sobrenome difícil de pronunciar para quem não tem familiaridade com a língua alemã. Sua família é brasileira? Parte dela é mineira e a outra parte veio da Alemanha e Suíça. Meu pai era médico e minha mãe pesquisadora do Ministério da Saúde. Como minha mãe trabalhava em um laboratório, tivemos contato com essa realidade das ações e reações químicas. Ela sempre nos estimulou, inclusive, montando um pequeno laboratório doméstico. Eu adorava fazer o famoso ‘sangue do diabo’, uma mistura de fenolftaleína, amoníaco, álcool e água, e logicamente usar com as pessoas adequadas [risos]. Acredito e respeito muito as formações pessoais que são para mim como a costura de uma colcha de retalhos. Somos formados por vários pedacinhos de ‘tecidos diferentes’, que contribuem para o nosso resultado final. As experiências da infância, por exemplo, são determinantes no resultado do indivíduo adulto. Na minha história, minha proximidade com meus avós maternos foi marcante. Como meu avô alemão e minha avó suíça tinham um português deficitário, entrei no jardim de infância com o mesmo sotaque que eles, e isso era motivo de chacota, afinal, crianças fazem bullying naturalmente. Esse fato contribuiu para o meu afastamento social e me fez criar com mais força o meu próprio universo paralelo ligado aos livros. Sou da época em que ainda não existia o “oráculo” Google e tínhamos que recorrer às enciclopédias para fazer as pesquisas da escola. Adoro conversar e discutir sobre tudo, menos futebol, que não entendo nada. A única coisa de futebol que gostei, foi quando a Alemanha ganhou do Brasil, e justamente aqui em Belo Horizonte. Temos um grupo de WhatsApp no Departamento de Segurança no Trabalho do Seconci-MG, e logo após o final do jogo, comuniquei que teríamos uma reunião na segunda-feira cedo com o tema ‘a vitória da Alemanha sobre o Brasil’. Conduzi a reunião mostrando como ocorreram os treinamentos das seleções. O que eu queria mostrar eram as evidências de que todos os treinamentos, por mais que possam parecer ‘duros’, têm suas vantagens e que nunca devemos ter uma postura de superioridade. Tudo na vida depende muito mais de transpiração do que simplesmente de inspiração.

Como foi seu ingresso na área da engenharia? No segundo ano da engenharia fui fazer estágio em uma obra e me deparei com uma realidade bem distante de hoje. A organização geral do canteiro era confusa, as NRs ainda eram muito recentes, sucintas e pouco difundidas. As áreas de vivência eram bem simples, nem havia banheiro feminino. Portanto, sem chance se eu quisesse usar. Era tudo muito surreal para a nossa realidade hoje. Não havia telefone, computador e outros recursos na obra. Tudo o que precisasse ser comprado tinha que ser planilhado no papel e levado para o escritório da construtora no final da tarde para fazer a cotação no telefone fixo de lá. No quarto ano da graduação, houve um anúncio da Telemig, na época, a empresa responsável pela telefonia no Estado de Minas, para uma vaga de estágio. Era somente uma vaga e eu, creio que por sorte, consegui a vaga. Fui para a divisão de engenharia responsável pela construção de torres de até 32 metros de altura, que envolvia, inclusive, o projeto e a execução dos acessos.

Mas até então você ainda não tinha feito a especialização em Segurança do Trabalho? O que a motivou para esta área? Eu já conhecia uma pessoa muito querida e que foi a responsável por me introduzir na Segurança do Trabalho. Ela era, na época, auditora fiscal do Ministério do Trabalho: Ivone Corgosinho Baumecker. A Ivone por várias vezes me disse: ‘você já tem o diploma de engenharia, faz Segurança no Trabalho e aumentarão suas chances de conseguir trabalho’. Brinco sempre com ela que caí nessa área por culpa dela e agora não sei fazer outra coisa [risos]. Concluída a especialização fui trabalhar como engenheira de segurança em uma empresa conceituada de construção civil, mas não me adequava e não me acomodava às resistências dos engenheiros de obras. Era ainda no tempo da primeira redação da NR 18, mas eu já fazia o uso de algumas ferramentas de gestão. Criei um caderno para cada tipo de obra, onde informava ao engenheiro de campo as funções previstas no canteiro, uma breve descrição das atividades, dos riscos de cada função e os equipamentos de segurança a serem fornecidos, bem como lembretes sobre exames médicos. Mas o que eu mais gostava eram as palestras com os operários. Deixava sempre a cargo deles a escolha do tema e então buscávamos especialistas e se não conseguíssemos, fazíamos nós mesmos. Nas obras em que estas atividades eram mais constantes, eu percebia na maneira de agir dos operários sua mudança em relação à Segurança no Trabalho. Isto reforçou muito meu entendimento sobre a importância dos treinamentos. Era visível que, sendo bem explicado um determinado risco, a aceitação sobre o uso de um determinado EPI deixava de ser algo impermeável. No dia 8 de dezembro de 1993, estava na casa de meus pais e li no jornal um anúncio de emprego com uma chamada para engenheira de Segurança do Trabalho. Achei diferente, pois todos os anúncios costumavam vir no masculino, e fui lá no dia seguinte entregar meu currículo. No mesmo dia, recebi um telefonema para comparecer e fazer uma entrevista com o responsável pelo Seconci-MG. Eu nem sabia do que se tratava realmente o emprego, mas me senti de certa forma atraída. Durante a entrevista compreendi que era para dar suporte sobre questões relativas à Segurança do Trabalho às empresas de construção filiadas à entidade, e montar uma dinâmica de cursos de CIPA. Comecei a trabalhar no Seconci-MG em janeiro de 1994, tendo como primeira tarefa redigir a apostila do curso de CIPA e cuidar do protocolo do curso junto à DRT-MG.

Você teve dificuldades no início do seu trabalho? Considero-me uma pessoa com muita sorte, pois até hoje tenho muito prazer em vencer os desafios da atividade de Segurança no Trabalho na construção, aliado ao fato da minha equipe de trabalho ser como minha família. Naturalmente vivenciei, nestes quase 30 anos, ansiedades, frustações e decepções, mas sempre as coisas boas foram mais fortes. Atuar na construção no início era complicado, os colegas da área de segurança sofriam e tinham muito preconceito. A maioria queria emprego em metalúrgicas, indústrias automotivas e outras indústrias. Sempre tive fortíssima atração pela área e não me importava com os infelizes comentários que ouvia, inclusive em congressos de nossa área. Vários comentários eu guardei no fundo da memória, e me deliciei ao ver estes profissionais no auge das atividades da construção, por volta de 2012, ávidos para prestarem serviços neste segmento [risos]. Uma herança boa que recebi quando ingressei no Seconci-MG foi a vaga na Comissão de Prevenção de Acidentes nas Indústrias da Construção, que se reunia mensalmente na DRT-MG e também tinha como participantes outras entidades como a Fundacentro, o CREA-MG e o Senge-MG, o Sintest, o Siticop-MG, o STIC, o Sinduscon-MG e a AMES. A comissão foi criada devido à importância dada pelo então Ministério do Trabalho às ações realizadas de forma conjunta entre governo, empresários e trabalhadores, como passo fundamental para o aperfeiçoamento das relações de trabalho no Brasil. Tinha também como objetivo aglutinar os setores envolvidos nas indústrias da construção, com a meta de prevenir a ocorrência de acidentes do trabalho. Esta ação teve caráter pioneiro pois o CPR [Comitê Permanente Regional] só foi instituído em 1995 com a nova NR 18. O grupo foi formado de maneira tripartite e paritária. Iniciaram-se ali as ações de fiscalização conjunta, tripartite, em canteiros de obras. Estávamos prestes a sofrer a primeira mudança significativa na NR 18, que inaugura os trabalhos do tripartismo em nosso país. Começamos a participar de reuniões, consultas e análises de material para subsidiar a futura redação da Portaria SSST nº 04, de 4 de julho de 1995. Também tivemos um pouco antes, em dezembro de 1994, a criação do PPRA e do PCMSO. Foi um momento divisor de águas em relação à Segurança no Trabalho.

Quais suas atividades hoje no Seconci-MG? Do que você mais gosta em seu trabalho? Nossas rotinas são bem diversificadas. As inspeções de risco preventivas, com emissão de relatórios, consistem em visitas aos canteiros de obras programadas pelo Departamento de Segurança do Trabalho, auxiliando a empresa na verificação de itens previstos no cumprimento da legislação de segurança. Promovemos, também, palestras ministradas no próprio canteiro de obra destinadas aos funcionários da área operacional de construtoras e empreiteiras, tratando de procedimentos básicos de Segurança do Trabalho. Passamos a oferecer os cursos de formação para membros da CIPA, capacitando titulares e suplentes das Comissões para assumirem as atribuições previstas na NR 5. Com a alteração da NR 18, em 1995, criamos o Treinamento Introdutório – NR 18 fornecendo informações pertinentes à Segurança do Trabalho visando garantir a todos os funcionários a execução de suas atividades com segurança. Quando o Seconci-MG passou a oferecer aos seus associados o PCMSO, começamos também a apoiar as empresas contratantes do referido programa ocupacional com a elaboração de PCMAT e PPRA, bem como realizar levantamentos de dosimetria de ruído, poeira mineral respirável e vibração. Com a entrada em vigor da NR 35, o Seconci-MG adquiriu uma torre específica para treinamento em altura e criou um espaço adequado para disponibilizar essa capacitação às empresas filiadas. À medida que o departamento foi crescendo, me envolvi mais com questões organizacionais e menos com atividades relacionadas à elaboração de documentos. Mas um trabalho que não consigo abandonar são as inspeções de campo, pois precisamos manter um contato bem próximo da realidade dos canteiros de obras. Agora, uma atividade que considero, talvez, a mais significativa, são os treinamentos admissionais, quando consigo manter a conexão com os trabalhadores, e assim extrair muitas informações importantes para os programas – inclusive foram subsídios que utilizei até mesmo na minha atuação no extinto CPN [Comissão Permanente Nacional da Indústria da Construção] e no grupo de revisão da NR 18 que atuou em 2019. Sempre falo que ‘só sabe a força do touro quem pega ele pelo chifre’. Fazer qualquer rotina e dinâmica de Segurança do Trabalho pensando apenas no prescrito e não no exequível é fingir fazer segurança. Minha missão enquanto profissional é saber dosar e aplicar exatamente estas diferenças.

Em outras palavras é preciso entender a rotina de trabalho na prática para poder ministrar um treinamento aos trabalhadores… Exato, eu não me sentiria à vontade enquanto profissional em realizar, por exemplo, um programa sem conhecimento suficiente sobre as rotinas e atividades da empresa para a qual se destina o trabalho. Já fiz cursos de operador de betoneira, operador de serra elétrica, operador de elevador de obra, operador de guincho de coluna e outros mais. Por mais esquisito que possa parecer. Tenho sempre um desejo de mergulhar em assuntos técnicos e práticos ligados ao universo da construção. É o princípio da colcha de retalhos em que acredito: fazer cursos operacionais para mim é tão importante quanto estudar as normas internacionais. Tenho convicção de que tudo se completa e pode ser útil para o universo do trabalho. Todas as ‘importâncias’ se relativizam em seu somatório, desde que as integridades humanas sejam devidamente preservadas.

Logo no início da pandemia, a construção foi considerada atividade essencial pelo Governo. Como foi este processo de tentar garantir a segurança física dos trabalhadores para que não se acidentassem, mas também a segurança biológica para evitar as contaminações nos canteiros? Por mais que queira te passar uma ideia de calma, foi um momento tenso. A pandemia da Covid-19 deve ser, talvez, o maior desafio sanitário em proporção global deste século. O insuficiente conhecimento científico sobre o novo coronavírus, aliado à sua alta velocidade de disseminação e capacidade de provocar morte foram assustadores e exigiram uma resposta estratégica rápida para o seu enfrentamento. Na construção, os desafios foram e continuam sendo vários. Tivemos que correr. O Departamento de Segurança no Trabalho do Seconci-MG elaborou material com orientações e medidas de prevenção à Covid-19, com algumas legislações a serem adotadas pelas empresas. Estas orientações foram anexadas aos programas de Segurança do Trabalho (PPRA e PCMAT) vigentes. No Departamento de Medicina Ocupacional da entidade, estes movimentos aconteceram da mesma maneira. Criamos e começamos a aplicar nos canteiros, juntamente com o check list de segurança, outro check list intitulado Relatório de Visita para Prevenir a Disseminação do Coronavírus nos Canteiros. Com um caráter didático, o relatório tem como objetivo identificar medidas de segurança adotadas pelo canteiro para prevenir a disseminação do novo coronavírus e traz orientação sobre novas medidas a serem incorporadas.

Além deste check list específico houve outras ações voltadas à prevenção da Covid-19 nos canteiros? Em Minas Gerais outra ação foi a manutenção do grupo do CPR. Mesmo tendo sido extintos estes comitês, assim como em outros estados, julgamos importante mantermos o nosso em funcionamento. Naquele momento eu, de certo modo, atuei como sua coordenadora. Fizemos uma campanha entre as entidades participantes, divulgando o arquivo Orientações – Covid-19, extraído do Termo de Notificação, que estava sendo enviado pela auditoria fiscal do Ministério da Economia às obras em andamento das empresas do ramo da construção civil. Solicitamos o auxílio das entidades na divulgação deste documento disponibilizado pelo representante do Ministério da Economia no CPR, para as empresas filiadas aos sindicatos (Sinduscon, Sicepot, Sindleq e demais), como forma de orientação. E no site do Seconci-MG também se encontram disponíveis para download uma cartilha e um cartaz alusivos à prevenção da Covid-19. Foi o começo de todo um processo para uma resposta à pandemia. Diante do novo contexto promovemos rapidamente a alteração do regulamento do nosso prêmio e lançamos o 22º Prêmio Segurança do Trabalho Sinduscon-MG/Seconci-MG – Edição Especial Pandemia da Covid-19.

Você integrou a bancada dos empregadores durante a revisão da NR 18 que entrou em vigor em fevereiro deste ano. Qual sua percepção sobre a nova norma? Participar do processo de revisão da nova NR 18 foi muito importante por se tratar da norma setorial da construção. A indústria da construção civil envolve elevado número de processos e produtos, representando um dos setores econômicos mais significativos para a maioria dos países, em especial para os países em desenvolvimento como o Brasil. Concomitantemente é um setor que emprega um grande número de trabalhadores. Não foi uma simples questão de revisar a NR 18, e sim de alterar toda sua dinâmica. Os funcionários do governo tiveram a incumbência de buscar um avanço normativo alicerçado em três pilares básicos: harmonizar, simplificar e desburocratizar. Como tivemos uma significativa alteração na NR 1 [Disposições Gerais], e o intuito do processo buscava essa harmonização, nada mais importante que acabar com o exagerado detalhismo normativo da NR 18. Esta NR estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que visam à implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Ela é de importância ímpar para todos os atores sociais preocupados com questões de SST no setor de construção civil. Um grande avanço foi a unificação dos programas ocupacionais, devendo, agora, a elaboração e implementação do PGR [Programa de Gerenciamento de Riscos] ser obrigatório nos canteiros de obras, contemplando os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de prevenção. Portanto, teremos que tratar os aspectos de Segurança no Trabalho como gestão, de forma semelhante a outras normas internacionais. A nova norma privilegia o planejamento da Segurança do Trabalho em detrimento de exigências normativas engessadas. Harmoniza com a NR 1, e temos o GRO aí, mudando a mentalidade. As principais mudanças são a necessidade de fazer gestão de SST por parte das empresas contratantes e a unificação dos programas [PPRA e PCMAT]. Com a obrigatoriedade de elaboração e implementação do PGR nos canteiros de obras, contemplando os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de controle, haverá a necessidade de um cuidadoso levantamento, para elaboração do inventário dos riscos.

Há outros pontos relevantes?
Há também um tratamento diferenciado para obras menores, pois em canteiros de obras com até sete metros de altura e com no máximo 10 trabalhadores, o PGR poderá ser elaborado por profissional qualificado em Segurança do Trabalho e implementado sob a responsabilidade da organização. A redação da NR 18 foi atualizada para facilitar sua observância pelas empresas, sem causar prejuízos à saúde e segurança dos trabalhadores. O grupo tripartite que trabalhou no seu aprimoramento reduziu o número de itens a serem observados na norma de 847 para 363. Não se trata simplesmente do que foi retirado da NR 18, e sim da reorganização de todas as normas. A organização da nova norma foi feita de modo a facilitar sua consulta, favorecendo sua aplicação para qualquer tipo de obra, independente da característica construtiva. Buscou-se, também, uma equalização com normas internacionais. Liberdade de opção, por exemplo, no item 18.9 que trata sobre medidas de proteção contra queda de altura, pelo tipo de dispositivo. A nova norma privilegia o planejamento da Segurança no Trabalho, em detrimento de exigências normativas anacrônicas. Foi criado um anexo específico sobre capacitação, para tratar de carga horária, periodicidade e conteúdo programático. Treinamentos mais abrangentes e com cargas horárias maiores, havendo exigência de carga horária mínima de treinamento, inclusive com partes práticas como requisito para o exercício das atividades.

O que ainda continua sendo um desafio? O principal desafio continua sendo a dificuldade de entender e de disseminar o conceito de Segurança no Trabalho como valor. Infelizmente, muitas pessoas, independente da atividade que exercem, ainda não compreenderam os princípios da prevenção. A Segurança no Trabalho faz parte do negócio e como tal deve ser aplicada e valorizada pelas organizações. Empresas que sofreram problemas no passado, hoje demonstram avanços significativos e já não se preocupam apenas com nossas NRs. Muitas já se certificaram inclusive em padrões internacionais. A prevenção de acidentes do trabalho é um dos grandes desafios das organizações, mesmo daquelas que já pareciam ter atingido um nível mais aprimorado de prevenção. Frequentemente nos deparamos com notícias de grandes empresas que sofrem o infortúnio de acidentes fatais. Devemos sempre lutar contra a cultura de que ‘errar é humano’ e que acidentes são aceitáveis. Temos que trabalhar com a ideia de que acidentes podem acontecer e, assim, prever o momento em que ele acontecerá e evitá-lo.

Ref.: Revista Proteção, Saúde e Segurança do Trabalho (Digital): Segurança sem fingimentos. Editora Proteção Publicações. Ed. 353, p. 10, maio/2021.

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